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HACCP - O conceito e os seus requisitos
O conceito HACCP - (Análise de Riscos e Pontos Críticos de Controlo) traduz
-se numa forma eficiente e eficaz de sistematicamente se conseguirem
alimentos seguros em serviços do Sector Alimentar. Não é fácil implementar o
conceito nas cozinhas porque cada unidade tem características próprias e
requisitos específicos. A identificação dos riscos e a definição dos
procedimentos para se produzirem alimentos seguros tem que ser feita caso a
caso.
Na prática o conceito HACCP para cozinhas profissionais tem que seguir os
seguintes passos:
1. Identificação dos Riscos
Os riscos que fazem perigar a segurança e
qualidade alimentares têm a sua origem nos ingredientes utilizados, nos
processos de confecção e no próprio produto final. Estes riscos potenciais
têm que ser cuidadosamente analisados e avaliados.
Os riscos possíveis podem ser divididos em três
tipos:
• Biológicos e micro -biológicos: bolores,
vírus, parasitas ou bactérias (ex.: Salmonella spp )
• Químicos: como resíduos de produtos de limpeza ou pesticidas mas também
venenos naturais como aflatoxinas em nozes
• Físicos: objectos estranhos de qualquer espécie como cabelos, insectos,
metais ou outros.
Os gestores das unidades deste sector têm que
ser capazes de determinar em que área da sua cozinha e em que processo ou
parte dele, podem ocorrer estes riscos e também de avaliar o nível que
representam. Não devem ser analisados apenas os processos e os ingredientes
relacionados com a preparação e confecção dos alimentos mas também a higiene
pessoal dos empregados e todas as operações na cozinha, uma vez que existem
rotas de contaminação potencial.
2. Onde se encontram os Pontos Críticos de
Controlo?
Quando se conhecem os riscos inerentes ao
processo de preparação é necessário definir os Pontos Críticos de Controlo.
Cada fase do processo de produção alimentar que possa constituir um risco de
segurança se deixado sem controlo, constitui um ponto crítico que necessita
desse mesmo controlo.
Tem que ser possível eliminar, à partida, um
risco potencial, ou removê-lo durante o processo ou então reduzir a sua
importância a níveis aceitáveis.
3. O controlo e os registos são importantes
Depois da definição dos Pontos Críticos tem que
ser definida a forma de Controlo de cada um bem como os parâmetros limites
para cada medida de controlo.
Seguem-se alguns exemplos típicos de controlo:
• controlo da temperatura
• controlo do tempo
• inspecção visual
• práticas de gestão / operacionais
-segregação de alimentos de alto risco (crús-confeccionados/
limpo-sujo)
-controlo de contaminações cruzadas
-controlo de insectos e roedores
-controlo dos lixos
-controlo da higiene pessoal
-controlo de limpezas e desinfecções
• controlo das concentrações e tempos de
contacto de produtos de limpeza e desinfecção
Para um Ponto Crítico pode haver vários
aspectos a controlar devendo para cada um individualmente ser definido um
limite. Por exemplo, um processo de confecção deve ser definido por uma
temperatura mínima determinada para a “receita” mas o controlo dos
microorganismos a esta temperatura pré definida pode exigir a sua manutenção
por um período de tempo mínimo determinado e definido. Neste caso o critério
de verificação / controlo seria temperatura e tempo. Se um dos parâmetros
estabelecidos não for respeitado podemos ter uma situação de risco
inaceitável e terão que ser tomadas acções correctivas.
Para além da identificação dos parâmetros de
controlo para um Ponto Crítico, devem existir procedimentos de registo que
evidenciem a sua constante observância.
Os tipos de registo / inspecção / verificação
podem incluir:
• verificação de temperaturas
• análises microbiológicas das águas
• testes de limpeza
• testes sensoriais (como visuais, cheiro, sabor)
• processos de auditoria
4. Acções de correcção no caso de
descontrolo nos Pontos Críticos
Para cada área crítica devem ser pré-definidos
procedimentos alternativos para a eventualidade de os critérios de controlo
não serem atingidos.
Se for detectada deficiência na recepção de
produtos estes poderão ser rejeitados. No pior caso, se um problema não
puder ser corrigido e / ou disso resultarem alimentos pouco seguros para o
consumidor, eles devem ser deitados fora.
Para além de serem definidos limites de
controlo e de serem estabelecidas medidas correctivas é necessário definir
os procedimentos para medição regular dos parâmetros dos Pontos Críticos e
nomear as pessoas responsáveis pelas tarefas.
5. Nenhum serviço ficará completo sem
suporte documental
Para confirmarmos a eficácia dos procedimentos
adoptados o controlo dos Pontos Críticos tem que ser registado. O arquivo
destes registos (no mínimo durante um ano) dá credibilidade aos
procedimentos de higiene alimentar, criando igualmente uma base de dados que
permite a melhoria e revisão regular de todo o processo.
6. Revisões periódicas
Para assegurarmos a vitalidade dos princípios
subjacentes ao HACCP devem efectuar-se revisões periódicas dos
procedimentos, actualizando-se os que forem necessários em função das
alterações por introdução de novos elementos ou mudança das operações.
Todos os colaboradores devem receber formação
sobre os princípios, práticas e responsabilidades pessoais relativamente a
higiene pessoal, alimentar e segurança, relevantes para as tarefas que
desempenham a fim de que a implementação do HACCP decorra sem perturbações.
A responsabilidade final é, em última
instância, sempre do gestor das operações que deve definir e controlar quem
efectua os procedimentos. Todos têm que cooperar mas.... o gestor da unidade
é o responsável máximo. |